História

O Grupo Escoteiro Bororos surgiu a partir do GE Carajás, que conta com membros da colônia inglesa até hoje. Havia dentro da tropa escoteira a patrulha “Puma”, composta somente por jovens de descendência alemã, entre os quais Dieter Heineken, Klaus Struben, Hermann Maurer e outros. O chefe de grupo dos Carajás, Chefe Tobi, um dos escotistas mais completos que o Brasil já conheceu, sugeriu a fundação de um Grupo Escoteiro para jovens de origem ou descendência alemã. Para isso, contatou o Dr. Turelli, diretor do Colégio Visconde de Porto Seguro, que apoiou com muita ênfase esta iniciativa. Hermann Reck foi o primeiro chefe deste Grupo Escoteiro e o Colégio foi a sede do novo grupo, que foi batizado de Aimorés.


A partir dos anos 50, a colônia alemã fixou-se cada vez mais na zona sul de São Paulo. As reuniões do GE Aimorés eram realizadas a noite no Colégio Visconde de Porto Seguro, na Rua Olinda (Praça Roosevelt, centro), o que trazia dificuldades para os jovens. A Igreja da Paz, que estava sendo concluída e inaugurada em setembro de 1959, oferecia espaço e localização ideais.


Ao mesmo tempo, na Alemanha, o escotismo estava estreitamente ligado à confissão religiosa. Era a Christliche Pfadfinderei (CP), ou seja, o “Escotismo Cristão”. Sr Herbert Mielenhausen participou na Alemanha da CP, e como membro da comissão da construção da Igreja da Paz achou por bem que a igreja tivesse o seu grupo escoteiro. As primeiras reuniões de planejamento realizaram-se na residência da Família Günther Dauch. Os filhos Peter e Heiner eram membros do GE Aimorés.


Em 1960, com a concordância da chefia do GE Aimorés que apoiou a formação de um novo grupo escoteiro na zona sul, foi oficializada a criação do GE Bororos. O registro do Grupo na UEB foi feito por Stefan Dauch. O Grupo Escoteiro Bororos foi fundado formalmente no dia 1º de julho de 1959, quase que juntamente com a Igreja da Paz. O fundador, Herbert Mielenhausen (Hemi), foi ajudado pelos irmãos Dauch, Zietemann, Peter Matz, Dietmar Rehder e outros. O grupo foi formado segundo as regras do movimento escoteiro na Alemanha, pois o Sr. Herbert já havia participado do movimento na Alemanha na cidade de Frankfurt, e fundado um grupo em 1948 em Stuttgart. A ideia de um grupo formado por alemães no Brasil surgiu em uma conversa no Acampamento Internacional de Patrulhas (27/07 a 03/08 de 1959) onde o Sr. Herbert, seu filho Jürgen, seu sobrinho e seu irmão representaram a Alemanha.


Quando, mais tarde, as atividades do GE Aimorés cessaram no Colégio Porto Seguro, Ulrich Bruhn tentou recriá-lo no Colégio Humboldt em Santo Amaro, mas não teve sucesso.


No começo o Bororos contava com dez escoteiros. O primeiro chefe da Tropa Escoteira foi Jürgen Mielenhausen. Não havia separação entre as Tropas Escoteira e Sênior, havia apenas três patrulhas, duas escoteiras e uma sênior. O maior enfoque era o adestramento, já que os escoteiros precisavam ter a 2ª Classe completa para poder participar das grandes viagens planejadas: em julho de 1961 de uma travessia de um mês de duração desde São Paulo até São Leopoldo com os meios de transporte mais diversificados, e em 1962 a caminhada de Caxambu, MG, até Mauá, RJ, e Agulhas Negras.


Depoimento de Arvid Zietemann:

“Todos os primeiros escoteiros do Grupo estudavam do Porto Seguro, lá na Pça. Roosevelt. E lá havia o Grupo Aimorés, do qual faziam parte os filhos mais velhos do Herbert Mielenhausen. Quando a Friedenskirche ficou pronta Herbert Mielenhausen e Heiner Dauch lançaram a ideia do Grupo alemão na zona sul e como meu pai, Roberto Zietemann, era o presidente da comunidade da nova igreja, nos incentivou a entrar para o novo grupo escoteiro. E assim incentivamos outros colegas de classe que moravam nas imediações a fazerem parte do novo grupo. Na primeira reunião, com a presença de Herbert, o seu filho mais velho Jürgen, assumiu a chefia. O núcleo inicial tinha uns 13 a 15 garotos. Lembro-me do nome dos seguintes: Jürgen Mielenhausen, Thomas Mielenhausen, Ulrich Mielenhausen, nós irmãos Arvid, Ralf e Bruno Zietemann, Werner Gemperli, Ditmar Rehder, Peter Matz, Erwin Brehm, Rudolf Zander (o filho do Pastor Zander), Stephan Dauch, Marcus Buehler, Bernhard Brunkhorst e Gunther Brunkhorst e outros. Pouco tempo depois, Jürgen deixou o Brasil e Thomas Mielenhausen assumiu a chefia. Haviam três patrulhas, Pantera, Falcão e Pica-Pau. Este grupo se reunia, acho que às 4ªs feiras à tarde. Iniciamos preparando a decoração do Heim, e cada um foi incentivado a doar livros para a futura biblioteca. A primeira grande viagem do grupo foi para o sul do Brasil, mas não pude participar. Mas no ano seguinte foi realizada a dura travessia de 120 km a pé de Caxambu (MG) a Visconde de Mauá (RJ) da qual participei. A viagem culminou com pernoite na região das Prateleiras, onde nunca senti tanto frio na vida, e a escalada do Pico das Agulhas Negras. Fizemos muitos acampamentos como, por exemplo, o distrital em Interlagos, Bororé, Itirapina, Horto Florestal, etc.”
Allzeit Bereit, Arvid Zietemann


O Sr. Herbert escolheu nome "Bororos" para o Grupo Escoteiro pois os grupos da época sempre tinham seus nomes atribuídos a tribos indígenas. O lenço do Bororos e as suas cores foram definidas já na fase de planejamento. O lenço do GE Carajás era verde. Quando foi criado o GE Aimorés acrescentou-se ao lenço verde uma borda preta. O GE Bororos, mantendo esta tradição, trocou a borda preta pela branca. Por ocasião de uma das festas da Igreja da Paz foi apresentada numa reunião de planejamento como lembrança comemorativa do evento a Rosa de Lutero bordada sobre uma faixa de veludo preto, e teve grande aceitação. A partir desta data os Bororos (Bandeirantes e Escoteiros) incorporaram no seu lenço e uniforme este símbolo, identificando desta forma que os Bororos têm a sua origem e a sua sede na Igreja da Paz, independente de sua confissão religiosa. A admissão de uma criança ou jovem nunca esteve condicionada à sua confissão religiosa.


O hino dos Bororos foi escrito por Klaus von Osterrot, que por vários anos escreveu uma coluna sobre o escotismo no Jornal Alemão, nas duas línguas, português e alemão. Não temos conhecimento da data nem se ele também compôs a melodia.


Português:
Escoteiros somos, Bororos
De Santo Amaro, São Paulo, Sul.
Sempre Alerta, estamos nós
E alegres, está tudo azul.
E a trilha de Deus não perdemos jamais,
Segundo sempre os seus sinais.
Ouçam o brada dessa voz:
Sempre Alerta, ó Bororos!

Alemão:
Pfadfinder sind wird, Bororos
Aus Santo Amaro, São Paulo, Süden.
Pfadfinder Geist haben die Bororos
Und Pfadfinder tun wird üben.
Unter Gottes weites Himmelszelt
Ist der Pfadfinder nie allein auf der Welt.
Já, die Welt ist gross und weit
Auf Bororos, Allzeit Bereit!



Heiner Dauch, um dos escoteiros fundadores, foi o primeiro Akelá (chefe de lobinhos) do GE Bororos a partir da fase inicial em agosto de 1959 e depois por longos anos Chefe de Grupo. Os lobinhos chegaram a ter três Alcateias na década de 1970, mas atualmente estão com duas.


Alguns Chefes de Grupo (hoje Diretor Técnico) do GE Bororos após a fundação pelo Sr.Herbert: Lothar Kreysig, Heiner Dauch (foi chefe de grupo por mais de uma década), DaniloTimich, Carlos Heinz (Heini) Loeben, Ralf Ahlemeyer, Luiz Ricardo Buff Souza e Silva, Heini Kiessling, Enrico Ferrari, Ubiratan da Rocha Leite.


Alguns Akelás do GE Bororos: Oleg Tuermorezow, Elke Speck, Ivonne Engel Bertelli, Danilo Timich, Maria Soledad Mas Gandini, Jürgen Dauch, Ester Eckel, Stella Masini, Marta Lieb, Renate von Galen Ahlemeyer, Frank de Mello, Marcus Vinicius Silva.


Alguns anos depois, por ter muitos escoteiros, a tropa escoteira se dividiu em duas; a Tropa 1, com 4 patrulhas e reuniões as 5as.feiras, ainda em alemão. Posteriormente migrou para os sábados pela manhã e hoje se chama Tropa DiSapta. Alguns chefes da antiga Tropa 1: Klaus Peter Fonrobert, Heini Loeben, Bruno Ponge Schmidt, Dirk de Mello, Ubiratan da Rocha Leite. A Tropa 2, com 4 patrulhas e reuniões às sextas-feiras a noite, hoje se chama Atanduara CAAJ, em homenagem a Carlos Augusto de Almeida Junior (escotista do Bororos falecido em 2009), depois de se chamar apenas Atanduara por muitos anos. Alguns chefes da antiga Tropa 2: Luiz Legge, João Guilherme Speck, Mario Junghaehnel, Ralf Ahlemeyer, Marco Antonio Marchese, Rafael Masini Barbosa, Luiz Ricardo Buff Souza e Silva, Luiz Augusto Buff Souza e Silva. Vale ainda mencionar que as Tropas escoteiras voltaram a se unir em 1991, quando o número de escoteiros diminuiu, mas hoje estão novamente dividas em duas, como antigamente.


A Kothe, hoje tradicional, não foi usada desde o começo na Tropa Escoteira, mas introduzida na década de 1980. No começo eram barracas comuns. A Kothe, no Brasil, é usada exclusivamente pelo GE Bororos e foi copiada a partir de modelo proveniente da Alemanha onde ela é usada por todo o movimento escoteiro até hoje. A Kothe adequa-se ao método escoteiro, em especial ao sistema de patrulhas, pois cada escoteiro carrega uma parte da mesma. No local de pernoite essas partes são ‘costuradas’ permitindo sua montagem.


A Tropa Sênior surgiu somente em 5 de março 1966. Com a necessidade de criar um novo ramo para escoteiros com mais de quinze anos, foi chamado o Sr. Lothar Kreyhsig, que foi escoteiro de 1937 a 1939 no GE Ubirajara (localizado no colégio Beijamin Constant), para comandar a nova Tropa Sênior. Ela iniciou suas atividades após a passagem no dia 5/03/1966 onde passaram cinco escoteiros, fundando a primeira patrulha Sênior: a Anhanguera. Com o aumento de rapazes na Tropa foram criadas mais três patrulhas: em 11/05/1966 foi criada a Rui Barbosa, e em 12/10/1970 foi criada a Tiradentes. Após uma reformulação na Tropa, criou-se a patrulha Rondon em 13/08/1971. A Tropa Sênior Thomas Bresslau recebeu esse nome em 1986 após o falecimento do sênior de mesmo nome.


Alguns chefes da tropa Sênior: Haroldo, Carlos Heinz Loeben, Bernard Shefel, André Dahmer, Oleg Tuermorezow, Ralf Ahlemeyer, Mark de Szentmiklosy, Eric Schloesser, Christian Fuchs. Flavio Silva, João Beutler.


Em 6 de setembro de 1968, atendendo a pedidos das irmãs dos escoteiros, começaram as atividades do então Distrito, a partir das mãos da Sra. Martha König, viúva e mãe de 4 filhos, que tomou a iniciativa e, com um de seus filhos, Jürgen, chefiou um pequeno grupo de meninas. Para tanto, teve todo o apoio, e até a “insistência”, de 2 chefes escoteiros, Srs. Lothar Kreysige Klaus von Osterroth. Desta primeira reunião participaram 9 meninas, sendo 6 na idades de fadas e 3 de B1. Um ano depois, já eram 12 fadas e 22 B1 e B2, que tinham reuniões em conjunto por falta de coordenação e usavam a mesma cor de lenço.


Com a saída da Chefe Martha e suas assistentes, o grupo esteve para fechar, se um novo grupo de mães de escoteiros e lobinhos, com muita vontade e coragem não tivesse tomado a iniciativa e preenchido a lacuna da chefia. Estas mulheres foram Helge Dauch, Ilse Bremer e Rosemarie Spengler.


Foi em 1970, que aconteceu o 1º contato com a Federação das Bandeirantes do Brasil. Foi eleito o primeiro Colegiado e estabelecida toda a estrutura de um Distrito Bandeirante conforme as normas da FBB. Houve nesta época uma reformulação total do método bandeirante (o sistema de provas foi abolido, houve mudança na nomenclatura, lenços, distintivos, forma de promessa, etc.). - hoje, o Núcleo Bandeirante Bororos.


Algumas coordenadoras de Núcleo: Helge Dauch, Marina Martelli, Marina Paschen, Carla Ahlemeyer, Monica Vaders Mora, Karina Souza, Valeria Bueno de Camargo, Silvia Dauch.


O Clã de Guias Martha König surgiu apenas em agosto de 1975. Com a passagem de Heidi Ponge Ferreira, Monica Vaders e Elke Reck que já não tinham mais idade de ser B2 criando assim a necessidade de se formar um novo ramo para bandeirantes com mais de quinze anos. Helge Dauch passou a comandar o novo grupo. Com a entrada de Monika Matrowitz o clã cresceu rapidamente, pois ela trouxe consigo várias amigas do Colégio Benjamin Constant.


Em 1972 foi fundado o Clã Pioneiro Vital Brasil, com Heini Loeben e Danilo Timich entre os primeiros pioneiros, que só existiu até 1974. O primeiro Mestre Pi foi Roberto Bauch.


Só em 1980 foi criado o Clã Pioneiro Tcherá-Tugare, que existe até hoje, pois havia a lacuna após o ramo sênior e guia. André Dahmer, Heidi Ponge-Ferreira, Monica Vaders, Bruno Ponge-Schmith, Alberto Cardoso de Mello, Arianne Hoffmann mesmo já atuando como chefes e coordenadores, sentiram a necessidade de aumentar seus conhecimentos e fazerem mais pelo Bororos e começaram a fazer reuniões sozinhos trocando informações e se dividindo em grupos de interesse para atender algumas necessidades do GE e do NB. Rapidamente outros jovens se interessaram: Norbert Reinhold, Maria Soledad, Roberto Franchini. Em meados de 1981 convidaram o Pastor Carlos Moeller para ser o primeiro Mestre Pi, depois de uma atividade de espiritualidade.


Alguns Mestres Pioneiros: Bruno Ponge Schmidt, Dirk de Mello, Vicente Parente, Paul Kiessling, Heloisa Canovas Kiessling, Ana Luzia Carvalho, Ralf Ahlemeyer, Julio Capelotto, Renate von Galen Ahlemeyer, Lilian Madsen Canova.